Mais uma semana e a velha guarda do rock insiste em provar que ainda manda no pedaço. Enquanto isso, o Madison Square Garden se afunda em mais uma polêmica daquelas de fazer quem compra ingresso torcer o nariz. E, para fechar a conta, nos despedimos de uma das vozes mais icônicas das baladas oitentistas. Vamos nessa.
Os Stones e o Cromo: Rock não tem idade
Dizem que o tempo é o senhor da razão. No caso dos Rolling Stones, ele é o senhor da porrada na cara. O novo álbum, “Foreign Tongues”, está aí para calar a boca de quem achava que Mick e Keith (e Ronnie, e o espírito de Charlie Watts) iam virar, sei lá, músicos de lounge. Segundo o Tenho Mais Discos Que Amigos, o disco é um “manifesto de insubordinação analógica contra o século XXI”. Entre falsetes ácidos e guitarras rústicas (aquelas que parecem ter saído de um ferro-velho, mas valem ouro), os octogenários chutam o balde com a mesma energia de quem acabou de descobrir o amplificador. E o Louder Sound ainda reforça que Charlie Watts, de onde quer que esteja, deve estar “radiante” com a banda. Quer saber? A gente também. Rock não é pra ser comportado, e eles entenderam isso há uns 60 anos.
E por falar em velharia boa, o Thin Lizzy, aquele bando irlandês que sabia como ninguém misturar hard rock com baladas épicas, está relançando seu disco de estreia com uma edição deluxe que vai fazer os fãs mais xiitas salivarem. O Louder Sound descreve como “um vislumbre precoce das muitas joias à disposição da banda”. Ou seja, é pra quem já amava e pra quem precisa de um empurrãozinho pra cair de cabeça. Nunca é tarde para descobrir um clássico.
O MSG e a lista negra: Queer, rapper e de alto risco?
Ah, o Madison Square Garden. O palco dos sonhos, das lendas, e, aparentemente, dos mais novos escândalos. Depois de uma semana em que o lugar foi cenário de casamentos de celebridades e shows esgotados, o Pitchfork solta a bomba: o MSG andou secretamente rastreando músicos queer. Não só isso, a base de dados da casa ainda classificou Freddie Gibbs e Lil Jon como “alto risco”. Porque, afinal, o que poderia ser mais perigoso do que um rapper ou um músico queer num palco? Um panfleto subversivo entregue na saída?
É o tipo de coisa que te faz coçar a cabeça e pensar: mas que diabos? O mesmo lugar que recebe o Rush para quatro noites esgotadas – e sem ninguém ser “alto risco” por conta dos solos de guitarra – agora resolve bancar o Grande Irmão da diversidade. É a hipocrisia em seu estado mais puro, embrulhada em luzes de neon e ingressos caríssimos.
A voz que se calou: Adeus, Bonnie Tyler
E, no meio de tudo isso, uma notícia que aperta o coração: Bonnie Tyler nos deixou aos 75 anos. A voz rouca que eternizou “Total Eclipse of the Heart” e “Holding Out for a Hero” se calou, conforme noticiou a NPR. A mulher que fez da balada épica uma arte, com uma garganta que parecia ter passado por mil noites em bares de fumaça, era um ícone de uma era. A Roadie Crew lembrou que em 1988, com “Hide Your Heart”, ela mergulhou de vez no hard rock, mostrando que sua voz não era só drama, mas pura potência. Ela não cantava, ela rasgava as músicas. E deixava todo mundo de queixo caído. Vai fazer falta.