Banda de rock se apresentando em um palco escuro com luzes coloridas

O Pior Ano do Rock: Entre Divórcios, Doenças e o Fim da Paciência com Categoria de Produto

Amigos, sentem-se. Peguem uma cerveja. Ou um whisky. Porque 2026 está se desenrolando como aquele show que você pagou ingresso caro pra ver e, no final, o vocalista nem aparece. (Sim, estou falando de você, Poppy. Mais sobre isso depois.)

O Ano em Que a Vida Real Atingiu o Rock

Primeiro, as notícias que fazem a gente lembrar que nossos ídolos são, bem, humanos. O mundo do rock and roll, que já viu de tudo, de overdoses a hotéis destruídos, parece estar passando por uma fase mais… prosaica, mas não menos dolorosa.

Comecemos com o divórcio de Jelly Roll e Bunnie Xo, que a Rolling Stone reporta ter sido finalizado após dez anos. Dez anos, amigos. Parece que nem todo conto de fadas country-trap tem final feliz. É tipo quando você descobre que aquela banda que você idolatrava se separou por “diferenças criativas” – e você sabe que é briga por dinheiro.

E se divórcios são o lado chato da vida, doenças são o lado cruel. Lauren Laverne, a querida apresentadora da BBC 6 Music, revelou seu diagnóstico de um distúrbio no sangue e medula óssea. Aquela frase “Talking about this stuff helps people” (falar sobre isso ajuda as pessoas) no resumo do NME não é só um clichê, é um soco no estômago. Força para ela.

Ozzy Day e a Imortalidade do Príncipe das Trevas

Mas nem tudo é desgraça, claro. Há homenagens. E poucas figuras merecem mais que Ozzy Osbourne. A cidade de Birmingham, berço do metal, vai instituir o “Ozzy Day” em 22 de julho, aniversário de sua morte, para celebrar “a vida, o legado e as raízes de Birmingham do Príncipe das Trevas”, segundo a Rolling Stone. É a prova de que, mesmo depois de partir, algumas lendas se tornam mais lendas ainda. Não é só um feriado; é um lembrete de que o caos, o carisma e a capacidade de sobreviver a si mesmo são virtudes.

Os “Álbuns” e o Grande Bocejo Coletivo

Agora, um assunto que me tira do sério: a morte silenciosa do álbum. Uma pesquisa recente, divulgada pela NME, mostra que 41% das pessoas no Reino Unido não ouviram um álbum completo em um ano. Quarenta e um por cento! Isso não é “mudança de hábito”, é uma declaração de guerra à arte de contar histórias musicais. É como ir a um museu e ver só as legendas. Ou assistir a um filme pulando para o final.

E o que dizer de Poppy, a artista que se apresentou no Upheaval Festival e sua banda tocou o set completo sem ela? Se isso não é a metáfora perfeita para a nossa relação com a música hoje – a embalagem, a expectativa, e a ausência do que realmente importa – eu não sei o que é. É o rock virando categoria de produto, onde a presença do artista é opcional.

Festival de Quatro Dias e o Bom Humor do Deep Purple

Pra fechar com alguma esperança, o Reading Festival está tentando virar um evento de quatro dias, com música até na quinta-feira. Mais música, mais rock. É o que o povo quer, porra. E Roger Glover, do Deep Purple, explicou à Roadie Crew que os títulos “curiosos” dos álbuns da banda (“Bananas”, “Whoosh!”) são puro humor. Humor! Num mundo onde a gente tá perdendo a capacidade de ouvir um álbum inteiro, ter uma banda ainda tirando sarro de si mesma é ouro.

Este ano tá puxado. Mas o rock, como sempre, segue em frente. Nem que seja arrastando.