Napalm Death tocando em um escritório, com microfones e equipamentos de gravação

O Tiny Desk virou o palco do diabo? E outras presepadas (e ressurreições) do rock

Se a gente achava que já tinha visto de tudo no rock, 2026 insiste em provar o contrário. O ano começou com a ressurreição do CD (sim, você leu certo) e agora temos o grindcore invadindo seu escritório. Sem falar no Bowie inédito que é mais velho que sua avó. Vem comigo que a mesa de bar hoje tá cheia.

O dia em que o Tiny Desk virou mosh pit

Quem diria que o programa mais fofo da música, conhecido por versões desplugadas e intimistas, viraria epicentro de um apocalipse sonoro? O Napalm Death levou seu metal extremo para o Tiny Desk Concert da NPR, e a internet, obviamente, colapsou. A Revolver Magazine e o Tenho Mais Discos Que Amigos chamaram de “show mais pesado da história do programa” e “o primeiro grindcore band a rock the NPR offices”. E não é pra menos. Ver Barney Greenway urrando em um cenário com plantinhas e estantes de livros é a definição de sublime absurdo. É o tipo de coisa que te faz questionar o propósito da vida, mas no bom sentido. A banda britânica, que abriu caminho para bandas como Thou e Gwar na honraria, mostrou que não importa o palco, o caos é a única constante.

O CD contra-ataca (e bate o vinil)

Em uma reviravolta digna de roteiro de filme B de ficção científica, o CD está vendendo mais que vinil no primeiro semestre de 2026, segundo a Consequence of Sound. Sim, o disquinho prateado que a gente chutou pra escanteio há uma década está fazendo um comeback que nem a Xuxa faria. Enquanto o vinil ainda domina as conversas de hipster e as prateleiras envernizadas, é o CD que está gerando mais lucro. Vai entender. Talvez tenhamos chegado ao pico da “estética da imperfeição” e a galera só quer ouvir música sem ter que se preocupar se o disco está empenado ou se o gato vai pular em cima da agulha. Ou talvez seja só a nostalgia batendo, mas dessa vez, pra quem tinha 15 anos nos anos 90.

Bowie pré-Bowie e o Slipknot na macumba paulistana

E por falar em nostalgia, mas de um tipo diferente: uma nova coleção de David Bowie vai trazer músicas inéditas, gravadas com Jimmy Page em 1965, quando ele ainda era Davie Jones. É tipo encontrar a planta original do Titanic, só que com menos chance de naufrágio e mais chance de virar item de colecionador. A Pitchfork relata que “The Shel Talmy Recordings” vai reunir material do finado cantor com o produtor homônimo. É o Bowie antes de virar Bowie, o ovo antes da galinha, o caos primordial do gênio.

E para fechar o rolê, o Slipknot está de casa nova. Quer dizer, de estúdio novo. E por aqui. O Wikimetal registrou Alex Venturella e Eloy Casagrande no IP&T em São Paulo. O Loudwire e o Louder Sound confirmaram que o produtor do novo álbum é Matt Wallace (Faith No More!). Jim Root disse que tem “pelo menos 50” ideias de músicas. Ou seja, vem paulada por aí. E com tempero brasileiro, aparentemente. Acho bom.