Mês de julho, e o rock continua rolando, às vezes para frente, às vezes para trás, como um bêbado tentando achar a chave de casa. De um lado, a velha guarda do Iron Maiden se metendo em transações financeiras que fariam o Bruce Dickinson (o piloto, não o vocalista) suar frio. Do outro, o Queens of the Stone Age provando que ainda dá pra surpreender com uma porrada torta. E, de bônus, o Nickelback, porque nem tudo é perfeição.
Os Demônios do Capital: Maiden vende o trono (e uns riffs)
Sempre que uma banda vende parte do catálogo, a gente já aperta os cintos. É tipo quando seu tio-avô resolve vender a fazenda de gado Nelore pra investir em NFT de macaco — a gente sabe que não vai dar bom. Mas o Iron Maiden, esses senhores respeitáveis do heavy metal, foram lá e venderam parte do seu catálogo e imagem para a Pophouse Entertainment, uma empresa sueca como relatado pela Rolling Stone Brasil.
O que significa? Basicamente, que agora a turma da Pophouse pode fazer avatares do Eddie dançando funk no metaverso, ou usar “Run to the Hills” pra vender sabonete líquido. O Bruce Dickinson, em entrevista à Wikimetal, já tinha mandado a real: prêmios tipo Grammy e Rock and Roll Hall of Fame “não significam nada” para a banda. Pelo visto, o que significa é a grana da Pophouse.
E se você acha que o Maiden está velho demais para essa palhaçada, um aviso: o Heathen, uma banda de thrash metal da Bay Area, homenageou os 50 anos do Iron Maiden com uma versão de “The Prisoner” segundo a Roadie Crew. Cinquenta anos. A gente mal consegue lembrar o que comeu ontem.
QOTSA: a rua da amargura (e do psych-rock)
Mas nem só de balanço de caixa vive o rock. Tem gente que ainda faz música porque… bem, porque faz. O Queens of the Stone Age, por exemplo, saiu do seu limbo criativo para lançar um single novo depois de três anos. “Easy Street” chegou com um vídeo que mistura bombeiro, cavalo e um Juggalo como a Pitchfork notou.
O Josh Homme, o cara que parece que acorda com uma guitarra já plugada, explicou o conceito à NME: “É como bater o osso da risada, onde é engraçado porque dói e dói porque é engraçado.” A música tem cara de demo, com “erros deixados de propósito” conforme o Tenho Mais Discos Que Amigos. No meio de tanta produção pasteurizada, ouvir uma banda que assume a imperfeição é um alívio. É um lembrete de que o rock não precisa ser cirúrgico pra te acertar em cheio.
Nickelback: a volta dos que não foram (embora alguns quisessem)
E por falar em cirurgia, o Nickelback. Sim, eles estão de volta. Com um novo álbum chamado “Everything Under The Sun” e um single explosivo: “Rattle The Cage” anunciado pela NME. O Chad Kroeger promete que tem músicas “tão pesadas quanto qualquer coisa que já fizemos” e outras que “arriscam”.
É o Nickelback, né? Eles arriscam, mas não muito. É tipo pedir uma pizza de quatro queijos e vir com mussarela e mais um queijo que você não reconhece. Não é ruim, mas também não é a revolução que o QOTSA entrega com um riff sujo. A banda está de volta, e para alguns, isso é uma notícia tão boa quanto imposto de renda. Para outros, é só o Nickelback. E a vida continua.